Tanto ouvimos:
- Seja você mesmo;
- Não se deixe levar;
- A "plim-plim" manipula tudo;
- Escape do sistema;
- O mundo não é a novela.
Mas conseguimos atingir a ilustre marca da futilidade, passamos horas e horas na frente de um cubo com uma tela de vidro na frente, normalmente com um copo e prato na mão, telefone do lado e celular na mesa de centro, vendo a maior porcaria possível, quando mais inútil é o programa, matéria, ou o que quer que seja, mais assistimos, e depois ainda reclamamos que não tem nada que preste na televisão (aberta, por que ainda existem mentes sãs que têm TV à cabo e consciência para não comprar só para assistir reality shows 24h por dia).
Porém se olharmos direito a culpa de tudo É NOSSA, damos o prazer de dar Ibope àquilo que "não presta", e a mídia tem a EDUCAÇÃO e SIMPATIA de nos dar o que queremos, logo não podemos reclamar, se preferimos assistir a um programa em que um monte de "seres humanos" ficam correndo de um lado ao outro em cima de uma piscina de amido de milho, ou um que vivem mostrando mulheres e homens quase nus , é isso aí aceitem a nossa cultura É DECADENTE.
Ela nos impõe um modo de viver, um modelo perfeito que deve ser seguido, normalmente um corpo escultural, mente vazia, consumista e sem expressão alguma, um padrão fazendo com que fôssemos todos robôs, manipulados pela voz: "Compre, compre, compre". Principalmente no que fazemos, acordamos numa cama da marca "Modelar", escovamos os dentes com "Colgate", calçamos "Havaianas", bebemos "Alimba" e "NesCafé", vestimos uma "Maresia", saimos num "Fiat", e viramos um outdoor ambulante!
Não é a toa que os programas de qualidade cultural e intelectual alta, na TV aberta, só passam a partir das 22h, programas em que a mídia tem baixo poder manipulativo e de alienação, já que o público é mais maduro e consciente, normalmente programas de críticas sociais e políticas, e que a propaganda não invade o espaço do programa, ficam apenas "do lado de fora do palco".
E assim ficamos em um mundo alienado, desprovido de cultura, padronizado, no qual conhecemos o que acham que devemos conhecer, de repressão àqueles que tentam sair do sistema e destruir "As gigantes", enfim... cabe a cada um saber os seus limites e em que nível se encontra!
Felipe Carvalho Souza Baião